
Cineasta, desenhista, jornalista e personalidade da cena cultural de Curitiba, Valêncio Xavier Niculitcheff , também conhecido como "O Frankenstein de Curitiba" é pouco conhecido fora do Paraná, a não ser por um restrito círculo de críticos, como Boris Schnaiderman e Décio Pignatari. A tônica do trabalho de Valêncio é o humor: seu primeiro livro, que leva o estranho nome de Desembrulhando as Balas Zequinha (1973), é um estudo sobre figurinhas de bala.
Busquei na net informações sobre seus livros e o filme "Mistéryos", baseado em seus contos:

O Mez da Grippe reúne de maneira criativa recortes de jornais antigos, anúncios, cartões-postais e ilustrações para contar a epidemia de gripe espanhola que assolou Curitiba em 1918. Valêncio também usa fotogramas de filmes mudos e desenhos e quadrinhos. Recursos que compõem a narrativa. Sim, uma imagem vale muitas palavras.



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Mistéryos
Amigos desde o período áureo da Cinemateca, entre o final da década de 70 e início dos anos 80, Pedro Merege e Beto Carminatti se reencontraram e resolveram fazer um curta juntos. A intenção era também filmar algo do escritor paulista radicado em Curitiba, Valêncio Xavier. Surgiu a idéia de filmar ‘O Mistério da Prostituta Japonesa’. A dupla elaborou um projeto e submeteu à Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Aprovado, o projeto saiu do papel. A captação de recursos foi em 2004 e o filme, que levou o nome de ‘O Mistério da Japonesa’, foi rodado e ficou pronto em 2005.
“Esse filme deu muita alegria para nós e, quando a gente assistia, dava aquela sensação ‘que vontade de fazer um filme como esse!’”. Na época em que estavam rodando ‘O Mistério da Japonesa’, eles tiveram a idéia de fazer mais outros três ou quatro projetos de curtas a partir de textos de Xavier, para juntar num longa de episódios.
O que uniria os filmes era a obra de Valêncio Xavier. Nesse meio-tempo, acontece que é lançado o Prêmio de Cinema e Vídeo do Paraná pelo Estado. A dupla decidiu, então, inscrever o projeto no concurso, porém alterando de curtas para um longa. “Ao invés de captarmos três ou quatro vezes, decidimos captar apenas uma vez”, explica Merege. Mas não foi dessa vez que a idéia saiu do papel. O projeto ficou em segundo lugar no concurso, mas não foi esquecido.
No ano seguinte, depois de fazer alguns ajustes e promover algumas melhorias no roteiro, foi inscrito novamente e daí aprovado. O momento era então de começar a trabalhar para a realização do filme. “Demos o nome de ‘Mistéryos’ porque pegamos os textos dentro do livro do Valêncio, ‘O mez da grippe e outros livros’, que tem uma parte que se chama ‘Os 12 mistérios mais o mistério da porta aberta’. Escolhemos alguns desses mistérios e por isso demos esse nome. A grafia com ‘y’ no lugar do segundo ‘i’ é uma brincadeira com a grafia do título do livro, que é mês com ‘z’ e gripe com dois ‘pês’”, explica. Com orçamento de R$ 1 milhão (valor do prêmio), Merege e Carminatti decidiram unir as histórias, ‘costurando-as’ com outra história de Xavier. As gravações aconteceram todas em Curitiba, exceto algumas cenas que foram em Piraquara, região metropolitana. As filmagens ocorreram do início de janeiro ao início de fevereiro, embora algumas cenas simulando um filme antigo tenham sido feitas durante dois dias de dezembro. Da pré-produção à finalização, o filme foi concluído em 1 ano e meio. “Para quem esperou dois anos para ser aprovado, um ano e meio entre pré-produção, produção e finalização não é muito tempo”, fala Merege.
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